sábado, 1 de novembro de 2014


Polícias fecham esquadras da PSP nos Açores e na Madeira quando saem para serviço

Situação é mais frequente à noite, mas também ocorre durante o dia. Falta de agentes deixa só dois ou mesmo um polícia sozinho no edifício. Esquadras têm aviso na porta que alerta para o fecho e sugere aos cidadãos que liguem ao 112 se for urgente.
“Esquadra encerrada para resolução de ocorrência complexa”. O aviso pontua as portas de várias esquadras da PSP nos Açores e na Madeira que frequentemente encerram quando os poucos agentes são chamados para acorrer a pedidos de ajuda de cidadãos ou situações de desordem pública. E se outro cidadão a precisar da polícia for surpreendido por uma esquadra fechada? “Se for urgente contacte o 112. Pedimos desculpa pelo transtorno causado”, responde o aviso ao qual o PÚBLICO teve acesso. A situação foi confirmada por várias fontes policiais.
O letreiro está preparado para ser afixado na porta da esquadra do Nordeste, em Ponta Delgada, nos Açores (ver reprodução neste artigo). Mas todas as restantes têm um igual. “Isto acontece várias vezes”, confirmou um agente da esquadra. A situação ocorre com mais frequência à noite, mas também se regista, por vezes, durante o dia. Nos Açores, muitas esquadras, como a do Nordeste, têm apenas 15 polícias, o que dificulta fazer as escalas de 24h diárias com o número necessário de elementos.
Em causa está a falta de agentes nos Açores e na Madeira. Frequentemente apenas dois ou mesmo um só agente ficam de serviço numa esquadra. Quando o telefone toca ou o rádio chama, fecham a porta e vão em emergência para o local. Na esquadra não fica ninguém. “Isto aconteceu centenas de vezes no ano passado e ninguém faz nada. O quadro de polícias nos Açores é de mil agentes, mas faltam 200. Isto já é assim há quatro anos. A Direcção Nacional da PSP e o Ministério da Administração Interna (MAI) já foram avisados, mas até agora nada se resolveu”, lamentou o coordenador do Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol) nos Açores, António Santos. O PÚBLICO contactou o MAI, mas este remeteu os esclarecimentos para a Direcção Nacional da PSP.

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